Logo após o fim do Campeonato Brasileiro em Dezembro até o início dos estaduais em Janeiro, a vibração dos torcedores está nas manchetes de contratações, de caras novas vestindo a camisa do seu time e prometendo mundos e fundos e todos os "3 pontos" que eles puderem conquistar. Aqui em São Paulo o movimento é sempre muito grande, cheio de rumores e fatos, decepções e alegrias.
A torcida Corintiana não conseguiu conter a euforia com a possibilidade de Juan Román Riquelme baixar por terras brasileiras. Não deu certo. Depois tiveram os rumores sobre Lucas e Ronaldinho Gaúcho. Nada aconteceu. Em compensação, Danilo voltou do Japão após conquistar o tricampeonato com o Kashima Antlers e Roberto Carlos foi repatriado após longo período de glórias e conquistas na Europa. Tudo isso, somado ao fato de Ronaldo ter permanecido promete um grande ano à torcida corintiana.
A torcida Palmeirense não se animou muito. Por problemas "operacionais", o Palmeiras não conseguiu a vaga para a Libertadores. Isso dificultou que o "Mago" Valdívia e Kléber "Gladiador" voltassem a vestir a camisa alviverde. O máximo que o Palmeiras conseguiu na janela de contratações foi Léo, bom zagueiro do Grêmio que foi trocado por Maurício e Márcio Araújo, volante regular, que fez ótimo campeonato pelo Atlético-MG. Posteriormente, negociações fecharam com Ivo, meio-campo do Juventude, Ewerthon, repatriado junto ao Zaragoza da Espanha e Lincoln, contratado junto ao Galatasaray, da Turquia.
A torcida São-Paulina se animou com a possibilidade de finalmente Fernandão vestir a camisa tricolor. Não deu certo novamente, talvez por falta de ética da diretoria do tricolor paulista que procurou o jogador diretamente, fato que enfureceu a diretoria esmeraldina. Em compensação, um grande pacote de reforços chegou, com destaque para Fernandinho, vindo do antigo Barueri, hoje Grêmio Prudente, revelação do Brasileirão de 2009, Cicinho, repatriado junto ao Roma, Alex Silva, retornando após tenebroso período na Alemanha e a aposta em Marcelinho Paraíba.
O torcedor do Santos não conseguiria prever o que estava por vir. Após a contratação de Marquinhos (Avaí), Durval (Sport) e a volta de Wesley por empréstimo, ninguém esperava que os meninos da Vila, Neymar, Paulo Henrique Ganso e André fossem quem daria show.
Começando pelo Corinthians: considerando as exibições de seus reforços, um grande destaque: o volante Ralf, contratado junto ao Barueri. Rapidamente, com atuações seguras, impecável na marcação e com lançamentos precisos, Ralf caiu nas graças da torcida corintiana e do técnico Mano Menezes. Faturou a titularidade sem muitos problemas.
Já Roberto Carlos, como muitos jornalistas andam dizendo por aí, joga somente "com o nome". Roberto Carlos saiu do Fenerbache como reserva. Já não estava jogando seu melhor futebol por lá. Aqui no Brasil não anda sendo diferente. Expulso em dois clássicos importantes (Palmeiras e Santos), independentemente se foram justas as expulsões ou não, Roberto Carlos ainda não se destaca. Às vezes "acha" uma assistência, já fez um belíssimo gol, mas é só. Erra muitos passes, muitos cruzamentos, nenhuma falta cobrada por ele passou sequer perto do gol, enfim, uma decepção. Não que esteja jogando realmente mal, mas quando joga bem, faz a atuação de um lateral-esquerdo comum, não a estrela que possui o nome consagrado ao redor do mundo.
Danilo ainda não achou uma sequência boa para mostrar seu futebol. Anda fazendo boas partidas, mas ainda precisa engrenar. Tcheco (apesar do belíssimo passe de letra no jogo contra o Racing) irrita a torcida corintiana. Muito lento, não anda tendo a habilidade de definição, sendo arma importante na bola parada. E anda se queimando, tentando jogadas de efeito e finalizar ao gol sempre que pode, para demonstrar seu valor à torcida, características que não são suas.
No Palmeiras, Léo já fez alguns gols, atua razoavelmente seguro na defesa, mas nada que mereça grande destaque. Márcio Araújo anda tendo boas atuações e sendo utilizado como coringa, jogando na lateral direita casualmente. Ewerthon já fez um gol e uma assistência, chega para agregar no elenco palmeirense em um lugar onde era mais do que necessário um reforço, o ataque. Lincoln já fez um gol, fez boa partida contra o Santos quando entrou no segundo tempo e é uma belíssima contratação. Finalmente uma opção à altura de Cleiton Xavier ou Diego Souza no meio-campo palmeirense. O jovem Ivo já fez uma assistência contra o Flamengo-PI e ainda é cedo para avaliar.
No São Paulo, decepção com uma das contratações mais badaladas: Marcelinho Paraíba. Muito lento, sem confiança, fez um golaço no seu primeiro jogo e parou por aí. O destaque positivo, a surpresa tricolor ficou por conta do zagueiro Xandão. Contratado junto ao Barueri, o zagueiro alto, jovem, habilidoso e seguro surpreendeu em ótimas atuaçõs. Está na reserva apenas por sazonalidades, e principalmente por causa de Alex Silva. O Pirulito, como é chamado no São Paulo, chegou com grandes atuações, seguras, quando jogando ao lado de Miranda só tomou um gol (na goleada por 5 a 1 contra o Monte Azul) e é um grande agregador no elenco, brincalhão, e descontrai por muitas vezes o elenco.
Fernandinho gerou grandes expectativas. Estreou com 4 gols na mesma partida. Porém, muitas expectativas não são justas. Fernandinho estava a aproximadamente 4 meses parado, ainda não aguenta um tempo inteiro e fazer gols não é sua especialidade. Sua especialidade é municiar os centro-avantes (Val Baiano e Pedrão agradeceram imensamente às jogadas de Fernandinho). Mas muitos já se impressionam com a velocidade e habilidade do jogador, que pode vir a encantar, quando tiver uma sequência. Já Cicinho, ainda não está em sua forma física ideal e fez uma ou outra partida realmente digna de sua habilidade, também devemos esperar mais.
Pela parte do Santos, nada se tem a dizer muito sobre as contratações. Wesley voltou muito bem do seu período no Atlético-PR. Marquinhos se encaixou muito bem no esquema, armando o time junto com Ganso. Durval dá uma grande segurança na zaga ao lado do experiente Edu Dracena. Zezinho, contratado junto ao Juventude, garoto muito habilidoso que jogou na seleção sub-17 ao lado de Neymar ainda não estreou, mas podemos ter muitas expectativas em relação a esse jogador. Teria sido a melhor contratação o técnico Dorival Júnior? Confiança e disciplina estão ajudando esses meninos a encantar o Brasil com suas jogadas, dribles e gols. Se a confiança tem algo a ver com o técnico, eu não sei. Mas o Luxemburgo deixava o Neymar no banco...
Aqui não tem hipocrisia e nem parcialidade. Apenas um espaço para falar sobre "a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes".
terça-feira, 23 de março de 2010
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